Minha primeira e única vez em Manaus foi a trabalho. Tinha pouquíssimo tempo para passear, mas não queria perder a oportunidade de conhecer o máximo possível de coisas, e provar o máximo possível de comes típicos. Infelizmente não conseguiria chegar perto da Floresta, mas Manaus tem várias atrações interessantes independentes da mata.

Como eu cheguei à noite, só deu para ter uma impressão geral no primeiro dia. Mas já deu para perceber algo fundamental: as pessoas são muito simpáticas! Muito mesmo! Genuinamente! É impressionante como me senti bem recebida, e esse é o melhor cartão de visitas que uma cidade pode ter.

Fui convidada para o jantar típico do Hotel Tropical, o maior de lá, onde é possível ter um gostinho do show do Boi Bumbá. Aproveitei a oportunidade para experimentar vários pratos típicos: Muqueca de Pirarucu, Filé de Surubim assado com banana pacovã (depois eu descobri que o surubim não é assim tão típico – o caboclo costuma jogar fora porque é peixe de couro e não de escama…), Muqueca de Tambaqui com Castranha da Amazônia feita na folha de bananeira e arroz com Jambu e camarão seco (o Jambu é uma erva bem típica de lá. Como era o anestésico usado pelos índios, dizem que pode deixar a boca dormente).

O show, apesar de ser totalmente turístico, foi até bem divertido… para quem não sabe, o Boi Bumbá é uma apresentação que acontece o ano todo em Manaus com uma festa máxima em Parintins em junho. São lendas apresentadas com dança e música por dois “bois”: Garantido (que defende a cor vermelha e tem a maior torcida) e Caprichoso (azul). Imagina se não fiquei morrendo de vontade de ir a Parintins!

No dia seguinte, trabalhei o dia inteiro e só fiquei liberada para passear no final da tarde. Fui para o centro histórico de Manaus que foi totalmente reformulado, e sentei para admirar (e babar!) na praça fechada onde fica o Teatro Amazonas. Sentei na Cafeteria do Largo, que fica no térreo de uma galeria de arte.

Além do Teatro Amazonas, ali fica a Igreja de São José Sebastião (obrigada, Marcinha!), e várias casinhas antigas que abrigam uns barzinhos. Como as ruas são fechadas, eles colocam as mesas no paralelepípedo, com tudo iluminado, uma delícia! Tem coral, música ao vivo, barraca de Tacacá (prato típico que eu não provei), e até passeio de charrete! Tomei caipirinha, comi biju com manteiga de Tucupi e Pirarucu defumado e doce daquela banana pacovã.

Terceiro dia e eu tinha algumas horas antes de pegar o avião. Fui dar uma volta pela cidade de taxi mesmo, já que não tinha programado nada com antecedência. Acertei um valor com o motorista (que como todos era extremamente simpático, além de ser extremamente orgulhoso de sua cidade!) e fui circular.

Primeiro fui no Museu do Índio, que fica do lado de um colégio… é pequenininho mas bem interessante.

Segunda parada: Mercado Municipal… um caos! Mas aquele caos delicioso, claro!! Fica bem em frente ao porto, então para conseguir descer do carro já é uma loucura! Só faltam te pegar pelo braço e enfiar dentro de um barco! E o mercado é aquela bagunça: gritaria, música alta, aquele cheiro delicioso no ar: mistura de peixe crú, frutas da estação, chá de ervas e churrasquinho de gato! Muito bom!

Rodei pelas barraquinhas de artesanato, fiz comprinhas… só não tive coragem de levar as centenas de ervas medicinais. Saí e fui espiar o porto… fiquei impressionadíssima com os barcos que navegam pelo Rio Negro! São enormes, mas completamente abertos, com um monte de redes penduradas… as pessoas pagam pela rede e chegam a viajar uma semana sem parar!! Imagina eu, com meu estômago fortíssimo, sentindo o balançar do barco e mais o balançar da rede… só de pensar já fico embrulhada!!

Segui para o Teatro Amazonas, com certeza a maior atração de Manaus… entrei para a visita guiada, mas como o guia tinha sumido do mapa, acabei sendo levadas por um funcionário… foi a maior sorte! Era um senhor muito gracinha, que trabalha lá há 32 anos! Começou como pedreiro e disse que hoje já nem sabe mais qual a sua função! Um faz tudo total e, claro, substituto do guia! Super orgulhoso, mostrou tudo, inclusive o chão de mármore que ele ajudou a colocar na década de 70.

O Teatro é espetacular! Foi inaugurado em 1896 e ainda hoje funciona (tinha um pessoal arrumando o palco para uma ópera). Na parte de cima tem um salão de baile onde só se pode entrar com aquelas pantufinhas. E um mini museu com coisas bizarras, por exemplo, uma catarreira (ou qualquer coisa parecida), que eram tipo uns vasos de cerâmica onde as pessoas literalmente catarravam, já que todo mundo fumava muito cachimbo e charuto!

Infelizmente, meu próximo destino foi o aeroporto. O bom de viagens curtas é o gostinho de quero mais que acaba sobrando. Não vejo a hora de voltar, e quem sabe dessa vez, de férias!

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