Meu terceiro dia em Santiago foi o mais movimentado. Era o último dia de passeio, e eram tantas coisas para serem feitas que tive que planejar o roteiro direitinho para ter certeza que conseguiria ver pelo menos o que eu considerava essencial.
Minha primeira parada do dia foi o Pueblito Los Dominicos, que fica no bairro de Los Condes, um pouco afastado do centro. É ali o maior centro de artesanato típico chileno, onde você encontra tudo o que pode imaginar de souvenir, mas tudo muito bem feito por artistas de qualidade (até por isso, não espere preço de “lembrancinha”).
São vários ateliers, um ao lado do outro, em um ambiente lindamente rústico, com plantas, aves e chão de terra. Ali, além dos produtos expostos, você pode ver os artesãos em pleno ofício, produzindo as peças na sua frente.
O artesanato chileno é bem variado. São lindas peças de cobre, cachecóis e mantas de alpaca, mini esculturas feitas de crina de cavalo, artigos de couro, e principalmente jóias e outras peças feitas de Lapis Lazuli, uma pedra lindíssima, de um azul profundo, que só existe no Chile e no Afeganistão.
Para chegar no Pueblito, você pode pegar um taxi (do centro, dá cerca de 5 mil pesos, ou 10 dólares) ou pegar o metrô até a última estação da linha vermelha e mais uns 15 minutos de ônibus. Mas vale a pena! É um passeio bem gostoso e rende bons presentinhos. (more…)
O centro de Santiago é bastante parecido com o centro de qualquer cidade da América Latina. É possível achar que você está em Buenos Aires ou São Paulo, respeitando as diferenças, claro. E passear no centro é uma delícia, e cheio de coisas interessantes. Mas se é charme que você busca, ou mesmo um pouco de modernidade, vá para os bairros, como Vitacura e Providencia.
Como eu já citei, Santiago está passando por uma revitalização, e mesmo seus bairros mais antigos estão sendo transformados em centrinhos modernos, com lojas, galerias, prédios de escritório e restaurantes. Sem esquecer do verde! Todas as ruas são extremamente arborizadas, e nessa época oferecem um espetáculo a parte: folhas em tons de verde, bege e marrom caindo da copa e fazendo um tapete lindo no chão!
Ah, um detalhe que esqueci de colocar no post anterior. Ao final do tour pelas vinícolas (e isso vale para qualquer uma delas), tem sempre uma lojinha onde você pode comprar exemplares dos vinhos. Por incrível que pareça, é mais caro comprar na vinícola do que comprar no supermercado, por exemplo. Apesar de você estar comprando “da fonte”, talvez por ser turístico, os valores são um pouco mais altos.
Portanto, se você quer comprar vinho no Chile (e vale a pena porque é um vinho delicioso e bem em conta por lá), vá a um bom supermercado. Você encontra Concha y Toro por sete dólares, e Undurraga por menos ainda. Mas lembre-se que as garrafas têm de vir na mala. Não podem ser levadas na bagagem de mão! Na hora do check in, avise antes de despachar que está levando vinho para que eles coloquem uma etiqueta de frágil.
Mas não são apenas bebidas que você encontra na vinícola. Na Undurraga, por exemplo, você pode comprar alguns artigos da chamada “vinhoterapia”, ou seja, sabonetes, cremes, shampoo, feitos com essência de uva, com um cheirinho delicioso! É uma boa opção de lembrancinha para as mulheres!
Um dos passeios que eu mais queria fazer aqui em Santiago era conhecer uma vinícola (ou viña, já que ando praticando bastante o portunhol). Eu não sou uma profunda conhecedora de vinhos, longe disso, e nunca tinha visitado vinícola nenhuma, nem dentro do Brasil. Então achei que seria uma ótima oportunidade. Pertinho de Santiago, são três as principais: Concha y Toro, a mais tradicional e visitada; Cousiño Macul, que tem vinhos deliciosos; e Undurraga, a menor e exatamente por isso a que escolhi conhecer.
Primeiro, sabia que iria em apenas uma vinícola. Com apenas três dias em Santiago, não valeria a pena ir em mais do que uma. Os tours são bastante parecidos, e a cidade tem muitas outras atrações para serem visitadas. A maioria dos turistas (principalmente os brasileiros) costuma escolher a Viña Concha y Toro para visitar, com isso, os tours normalmente são muito cheios e bastante “comerciais”. Portanto, fiquei em dúvida entre a Undurraga e a Cousiño Macul, e comecei a pedir sugestões. Todo mundo me indicou a Undurraga pelo mesmo motivo: o guia German Riesco.
E ele realmente é uma atração a parte. Já no começo do tour (que dura cerca de uma hora, uma hora e meia) ele avisa: “Eu estou um pouco tímido, porque este é meu primeiro tour como guia… por favor, não me façam perguntas difíceis porque eu não sei responder, e o que eu não sei eu invento”. Ótima frase de abertura para quem trabalha ali há quase 30 anos.
Mas as piadas de German são apenas uma parte do delicioso tour. A vinícola é lindíssima, fica em uma propriedade de 1880 mais ou menos, com 140 hectares e jardins projetados pelo mesmo paisagista que fez o Parque Municipal de Santiago. Começa com uma caminhada pelos vinhedos. Como estamos quase no inverno, as parreiras estão bastante secas, mas dá para ter uma idéia de como as uvas são cultivadas.
Foi até possível provar um cachinho… (more…)
Finalmente, as primeiras fotinhas para ilustrar o último post! Aproveitem:
Palácio La Moneda, sede do governo chileno.
Cerimônia de Troca da Guarda.
Parte externa da Catedral Metropolitana.
Catedral vista de dentro.
Entrada do Mercado Central.
Barracas do Mercado Central.
Santiago é maravilhosa! Quis começar o post com esta afirmação porque estou realmente enamorada desta cidade linda, charmosa, verde e em total fase de crescimento. Minha visita está sendo uma grande e grata surpresa! Não que minhas expectativas fossem baixas, pelo contrário. Só ouvi coisas boas da capital chilena de quem já veio para cá, não conheci ninguém que não tenha gostado. Mas mesmo esperando um passeio agradável, fiquei impactada, como eles dizem aqui!
O que mais me impressionou a primeira vista é que Santiago está vivendo um boom econômico, mas tentando não perder a identidade. Passeando pelo centro, você encontra vestígios da história do país, nos palácios espanhóis e ares europeus. Mas uma caminhada rápida por bairros como Providencia e Vitacura já mostra que a modernidade está chegando, e rápido. São muitos prédios em construção, além de um comércio renovado, bares, restaurantes, galerias e outros atrativos. Tudo isso com uma moldura natural de tirar o fôlego: a Cordilheira dos Andes de um lado, e a Cordilheira da Costa do outro.
Uma visita a Santiago tem paradas obrigatórias, e a região central é uma delas. O melhor é que é possível fazer tudo a pé. Aliás, esta é a melhor forma de conhecer a cidade: caminhando. Tome seu tempo, aprecie o que o centro tem de melhor, entre nas lojinhas que te chamarem a atenção… só cuide das bolsas e máquinas fotográficas, a cidade é segura mas às vezes aparecem trombadinhas, não custa cuidar.
Um bom roteiro pelo centro pode começar pela plaza de la Constituición, onde fica o Palácio La Moneda, sede da presidência chilena, escritório da presidente Michelle Bachelet. Para chegar, basta pegar o metrô (que é limpo, organizado e bem silencioso!) e descer na estação La Moneda. Ali, a cada 48 horas, às 10 da manhã, acontece a troca da guarda, uma cerimônia bem bonita, que vale a pena ser presenciada. Como acontece dia sim, dia não, veja qual o melhor dia para visitar. Ver a troca da guarda é um bom ponto de partida para o dia.
Siga andando um poquito más e chegará no Paseo Ahumada, uma rua de comércio fechada para carros, e cheia de lojinhas de todos os tipos (muito parecida com a Calle Florida, de Buenos Aires). Os preços ali são mais baratos do que nos shoppings, mas confesso que não fiquei tentada a fazer compras. As vitrines não mostram artigos que saltam aos olhos, e olha que eu adoro umas comprinhas, como toda mulher hehe! Mas é uma caminhada interessante.
Seguindo pelo Paseo Ahumada você vai chegar na plaza de Armas, onde fica a Catedral Metropolitana, o marco zero de quilometragem, como a Praça da Sé em São Paulo. A Catedral é muito bonita por dentro e por fora, e a praça em volta tem um movimento bem interessante de pessoas indo e voltando do trabalho, vendedores ambulantes, artistas de rua e turistas. Ah, e cachorros de rua (aliás, alguém sabe me dizer porque tem TANTO cachorro nas ruas de Santiago? Eles convivem harmoniosamente com os passantes, dormem nas praças, e se confundem com a paisagem! Se alguém souber, me avise!).
Continuando pela mesma rua, você chega no Mercado Central. Ali, como em qualquer mercado, você encontra frutas, verduras, carnes, peixes, empórios. Mas este não é o atrativo do lugar. Ao contrário. Esta área de barracas é até bem pequena se comparada a outros Mercados, como o de São Paulo. O que diferencia o de Santiago são os restaurantes de peixes e frutos do mar que vendem “mariscos” bastante exóticos, como a famosa Centolla, um tipo de caranguejo vermelho gigante, com uma carne muito gostosa e suave.
A Centolla faz muito sucesso entre os brasileiros que vêm para o Chile. Quando você chega perto do Mercado, já começa o assédio dos garçons e representantes dos restaurantes, todos perguntando de que parte do Brasil somos, e falando em portunhol sobre o que o seu restaurante oferece de bom. Um dos garçons, do restaurante Donde Augusto, contou que fica impressionado como os brasileiros apreciam a centolla. Disse que sempre dá risada pois os brasileiros tiram muitas fotos do caranguejo, aplaudem quando chega o prato e se mostram verdadeiramente empolgados com a iguaria. Fiquei um pouco envergonhada depois da indireta e não tirei nenhuma foto! Mas vou “surrupiar” de algum blog amigo e depois publico por aqui! De qualquer forma, o Mercado é um ótimo lugar para almoçar e fechar este meio dia de tour pelo centro da cidade.
Queria muito rechear este post com fotos, mas por algum motivo não estou conseguindo fazer o upload… será que a tecnologia não colabora muito no Chile? Assim que eu conseguir, coloco algumas imagens… e também continuo contando o quanto a minha viagem está deliciosa! Cenas dos próximos capítulos: passeio pela vinícola, Cerro San Cristobal, e o que há de melhor para comer, beber e comprar em Santiago!
Domingo acordei cedinho e fui para a estação ferroviária pegar o trem que sai de Curitiba, desce a Serra do Mar e vai até Morretes, no litoral. Na verdade, não fui de trem, já preciso começar me corrigindo… mas sim de Litorina. A diferença é que o trem tem locomotiva, e a Litorina tem motor próprio… mas é um tipo de trem, também anda nos trilhos, e também oferece um passeio no meio da Mata Atlântica absolutamente maravilhoso! Em alguns momentos, a sensação é que se está voando… literalmente nas nuvens!
Toda cidade tem sua fama, ou pelo menos aquelas características que a tornam conhecida no resto do país. Eu, sempre que pensava em Curitiba, antes de conhecer, quatro coisas me vinham à cabeça: MUITO frio, batata rosti, Jardim Botânico e o melhor transporte coletivo da América Latina. Agora, depois de dois dias passeando por aqui e pela redondeza, penso o seguinte: o frio é grande, mas não atrapalha em nada, não comi nenhuma batata rosti e o Jardim Botânico não foi meu ponto turístico preferido. Mas o transporte coletivo é, de verdade, impressionante!
Como sou turista, vou falar do que pude experimentar: a Jardineira! Jardineira é o apelido da linha turística de ônibus aqui de Curitiba, que roda os principais pontos, num trajeto de 44 km percorridos em cerca de duas horas e meia. Ao embarcar, você compra uma cartela com cinco tíquetes (por R$ 16,00), que dá direito ao embarque e mais quatro reembarques. Ou seja, por este valor é possível visitar pelo menos quatro atrações da cidade.
Tudo muito organizado! Primeiro que o ônibus passa de meia em meia hora em cada atração. Mesmo assim, nos pontos, há uma tabela com os horários em que o próximo vai passar. Em todas as minhas paradas, nenhum atrasou mais do que cinco minutos! Ao contrário… na maioria das vezes chegou um pouco mais cedo. Enquanto você está passeando, uma gravação fala um pouco sobre cada um dos pontos, em português, espanhol e inglês. E se faltarem informações, é possível contar com os simpáticos cobradores!
Peguei a Jardineira no ponto da Rua 24 Horas, que aliás, está fechada para “reforma” desde setembro do ano passado. O cobrador do meu primeiro ônibus contou que a prefeitura decidiu procurar ajuda da iniciativa privada para reformar o ponto que estava bastante decadente, mas até agora não conseguiu ninguém para bancar. Ou seja, não há previsão de reabertura. Fiz minha primeira parada no famoso Jardim Botânico.
Talvez pela fama, eu confesso que esperava um pouco mais. (more…)
Pois é, pessoal, sete posts e nossa semana Orlando está encerrada… infelizmente, porque eu adoro escrever sobre esse assunto, Disney é uma das minhas grandes paixões. Eu queria, para fechar com chave de ouro, abrir um espaço para ouvir as histórias de vocês sobre esse lugar mágico. Você já foi para Orlando? Em grupo ou sozinho? Onde ficou? Do que mais gostou? Pretende voltar? Conte-me tudo nos comentários! Aguardo ansiosamente os “causos” de vocês, e os melhores serão publicados aqui no Blog em uma nova categoria de relatos de viagens que estou criando.
Ontem, 11 da noite, me liga meu argentino (e muito amado) pai dizendo que tinha adorado meu post sobre Buenos Aires, mas queria corrigir alguns errinhos. Como maníaca pelo português correto, tomei o maior susto, já que li e reli o texto várias vezes antes de publicar. Mas, não, os erros eram nas palavras em espanhol (que já foram corrigidos, diga-se de passagem!).
Pois é, apesar da descendência, eu não falo espanhol (ainda! Pretendo mudar esta condição este ano!). Mas sou cara de pau o suficiente para arriscar: acho que o melhor jeito de aprender é errando bastante. O problema é que esses errinhos na língua acabam se tornando grandes micos em viagens, que serão lembrados por anos a fio!
Vou dar um exemplo. Eu tive dois anos de aulas de francês no colégio. Resultado: aprendi a falar basicamente os dias das semanas e os números. Na minha cabeça, isso seria suficiente para travar pelo menos um diálogo com a atendente do McDonald’s na minha primeira visita a Paris. Afinal, peça pelo número!
Cheguei no balcão e, sem nenhuma dúvida, fui de número três:
- Trois!
A balconista ficou me olhando com a maior cara de interrogação. Achei que poderia ser meu sotaque carregado, mandei de novo, arranhando bem os “erres”:
- Trrrrrois!
Como ela continuou sem reação, comecei a perder a paciência, e mostrar três dedos da mão (mímica sempre ajuda!):
- Trois! Trois! McChicken!!!
Aí sim, deu certo. A moça sorriu e foi buscar meu pedido. Resultado: saí de lá com três McChickens, e para viagem!
Sem comentários, né? E vocês? Têm histórias engraçadas que esbarram nessas barreiras com a língua? Coloquem nos comentários! A que disparar mais gargalhadas da minha parte será publicada no blog!