O Barreado é um prato tí­pico do Paraná, mais especificamente do litoral paranaense. Surgiu ali na região de Morretes e Paranaguá e hoje pode ser encontrado em quase todos os restaurantes dessa região, em Antonina e até alguns restaurantes de Curitiba. Basicamente consiste de um cozido de carne de boi, tradicionalmente preparado em panela de barro (daí­ o nome). Originalmente a carne ficava ali no fogo amolecendo por 24 horas. Hoje, os restaurantes já servem depois de 10 ou 12 horas de cozimento… mas pode ter certeza que ela estará bem molinha!

Comi o barreado no restaurante Madalozo, em Morretes… e não é simplesmente colocar no prato e comer! Tem toda uma preparação… quem me ensinou foi o garçom João, que preparou com carinho meu prato (fundo, por favor!). Olha como se faz:

Primeiro, coloca-se a farinha de mandioca (crua) no fundo do prato...
Primeiro, coloca-se a farinha de mandioca (crua) no fundo do prato…

Depois, coloca o cozido de carne em cima da farinha...
Depois, coloca o cozido de carne em cima da farinha…

Tem que misturar bem a farinha com o caldo, até formar um tipo de pirão.
Tem que misturar bem a farinha com o caldo, até formar um tipo de pirão.

Esse é o João, e é assim que o prato tem que ficar!
Esse é o João, e é assim que o prato tem que ficar!

Depois é só adicionar arroz a gosto...
Depois é só adicionar arroz a gosto…

... e banana picadinha! Bom apetite!!
… e banana picadinha! Bom apetite!!

No site do Madalozo tem uma receita de Barreado para quem quiser preparar em casa, inclusive com um calculador automático de quantidades. Mas o Olympio, que trabalha aqui na Stella Barros, me passou uma receita caseira da prima dele, que mora em Morretes, a Marlene. As duas receitas são parecidas, a diferença é que na receita dela não vai tomate, e o tempero é bem mais simples… o jeito é preparar os dois e comparar!

Receita de Barreado da Marlene

Ingredientes
- Três tipos de carne de boi de segunda (peito, patinho, acém, etc), sendo 1/3 em peso de cada uma.
- 10% do peso da carne de boi de toucinho, sendo 5% fresco (sem couro) e 5% defumado (também sem couro).
- Cebola e alho a gosto (muita cebola e muito alho. Por exemplo, para 10 kg de carne, coloco 5 cebolas grandes e uma cabeça de alho de dentes grandes).
- Azeite ou óleo
- Sal a gosto (1 colher de sopa para cada kg de alimento)
- Água no volume ocupado pelas carnes
- Um caldeirão em que as carnes ocupem a metade do volume e que tenha uma tampa que se ajuste bem.
- Farinha de mandioca crua bem fina, de preferência da região de Morretes.
- Banana nanica para acompanhar.

Modo de preparo
- Retire o excesso de gordura das carnes de boi e todas as nervuras, cortando a carne em cubos a seu gosto (todos vão desmanchar).
- Corte a carne de porco em cubos bem pequenos.
- Corte as cebolas e alhos sem casca em pedaços grandes.
- Jogue no caldeirão um pouco de óleo ou azeite, deixe esquentar, acrescente o toucinho fresco e o defumado e quando eles tiverem produzido bastante óleo refogue a cebola e o alho juntando-os aos poucos, e depois, aumentando a chama, acrescente aos poucos as carnes de boi fritando-as.
- Depois que todas as carnes estiverem fritas e já tendo soltado caldo, acrescente a água que deverá estar quente.
- Quando levantar fervura, baixe o fogo para o mínimo necessário para manter a fervura.
- Tampe o caldeirão e use um pano de cozinha para vedá-lo de necessário (a tradição manda vedar com um angu grosso de farinha).
- Mantenha a mistura fervendo pelas próximas 10 horas pelo menos. Se for necessário, acrescente água quente até o volume original (a perda de água depende do grau de vedação).

Para comer, é só preparar como já foi ensinado!!